Os que também amam poesia...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ESSÊNCIA




SE QUISER ME CONHECER MERGULHE!



MINHA ESSÊNCIA ESTÁ NO FUNDO...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

EFÊMERO

Se eu gritar para dentro de mim mesma
minhas entranhas me ouvirão?
E o que sinto decifrará as notas dissonantes do meu choro,
na orquestra dos sons calados?
O maestro desesperado para ouvir os acordes
e o acordar da minha alma sem sono...

Qual resposta dar ao meu coração?
Quantos discursos ele ainda suporta?
Quanta dor ele ainda pode sentir?
Quem vai sentado ao seu lado nesta viagem?

O chão que se abre sem amparo...

a estrada que não tem fim...

saudades do oásis neste deserto de águas...

Que mão segura a minha?

Quais lábios tocam os meus?

O espelho como disco arranhado
me lembra as horas...
os minutos...
os segundos...

nem o efêmero é efêmero diante da eternidade do meu querer...

minha "Pasárgada" é meu quarto
a parede que separa meus desejos...

soprei meus sentimentos ao vento...

pode ser que eles ainda voltem...

fragmentados...

trazendo as cores da sua luz...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ANTAGONISMOS MEUS...

A noite lá fora não me assusta...
não tenho medo do sol não nascer amanhã
tenho medo é de que meu coração nunca amanheça
minha alma ser inverno
sem cores
sem flores
sem luz...

não tenho medo do não
temo o sim que nunca chega
a esquina que nunca vira
e os sonhos acordados...

não temo o desespero
tenho medo da esperança
que chega como criança
e vai embora como um adulto que não brinca mais...

a fome é a fome
temo a inanição
as migalhas
sensação de saciar
de cheio vazio...

não temo morrer sem amor
temo viver sem ele...

não temo o fim da estrada
tenho medo do meio
das bifurcações
dos sinais escondidos
e das saídas distantes...

não tenho medo das escolhas
temo a liberdade instantânea
os instintos que não se submetem à suavidade da razão...

não tenho medo de não saber o porque
temo não saber onde
e não discernir o chronos
o espaço
a diferença
os fins
os meios
a chegada
e a partida...

não tenho medo de ir
temo o ficar...

não temo a dor profunda
tenho medo dos analgésicos superficiais
que amenizam a tristeza...

não temo o amanhã
tenho medo do hoje sem sol...

não tenho medo da tristeza
é assombrosa a felicidade passageira
que chega sorrindo
e vai embora sem dizer adeus...

não temo os trovões e os relâmpagos
e nem a escuridão da chuva e dos ventos...
temo é a tempestade que se arma e não vem
das cores brancas e do arco-íris
do espectro que se projeta
e do quase dia que não aparece...

não temo a morte
tenho medo de estar viva e não viver...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

JUNTOS

Eu e meus pensamentos!
movidos ao som das ondas
meio da tarde
frio de inverno
barcos ao mar...

e meus sonhos?
estes insistem em ficar
estão até agora comigo
na batalha ferrenha entre a esperança e o desespero...

são companheiros fiéis
escudos
que nas trincheiras me apontam o céu de estrelas...

meus sonhos são de criança
brincam às cantigas de roda
passeiam no parque de mãos dadas
constroem castelos na areia...

já os despedi
tentei fazer suas malas
disse que estão livres
podem procurar outros sonhos iguais!

mas eles não querem ir...
disseram que já me pertencem
que me foram enviados como anjos
que se os mandar embora não sabem aonde ir
porque não cabem em outros sonhadores...

levantei...

enxuguei minhas lágrimas

meu coração ferido de morte...

senti um vento profundo

que me envolveu...

me aqueceu...

me consolou...

me livrou...

me salvou...

levantei...

e adormeci...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

VIDA

A vida não para...
ainda que estagnada
nas esquinas dos rios
nos caminhos do mar
correnteza de águas...

hoje é o futuro do ontem
de páginas viradas
o amanhã é o sonho do hoje
que não reconhece sua identidade
é a única certeza de tudo...

a vida não para...
passam os postes
e as luzes das cidades
as árvores nas suas sequências
calma sem paciência
do interior dos mundos e de nós...

o dia chega
e já traz a noite
a noite que insiste em ficar
e o dia que implora em permanecer...


os sons do silêncio
e da alma
a música calada dos meus pensamentos...

sinto a tarde
e as cores do ocaso
crepúsculo no meu coração que espera...

a essência do amor
que exala de tudo que sou...
que tenho...
que acredito...
que vivo...
que espero...
que preciso...
que sinto...

a vida não para...

e ainda não entendo porque parece tão inerte...

domingo, 15 de maio de 2011

DESTINO

Onde estava que não me vi?
Qual trem eu peguei?
Seus vagões mostram o tempo e o lugar...

em qual estação despedir?
Passei do lugar ou devo descer no final?
Minhas bagagens estão empoeiradas de destino...

os que ficam me olham
os que vão querem de mim as cores...

as luzes se apagam
e os trilhos imploram descanso...

as cabines fechadas
seus cantos silenciosos
e a música que o trem canta é harmonia e dissonância
silêncio em melodia...

e eu aqui...

fecho os olhos e me vejo...

ainda sem saber aonde descer...


segunda-feira, 18 de abril de 2011

SILÊNCIO



Um grito de silêncio
sussurra dentro de mim...

minha rua não é pavimentada
é de terra
desesperada de sede
lágrimas de poeira...

minha fome é em preto e branco
vazio sem fundo
parede revestida de vontade
de saciar da fome
na medida da fome
no tamanho da fome
na fome da fome...

pensamentos acordados
estendidos no varal
pregados na sequência das suas ordens
olhos que veem fechados...

minha música quer um "Stradivarius"
violino que chora tocado ao vento
à beira mar ao entardecer...

e o amor que em mim está
quer ouvir a melodia dos sons calados...

poros
pele

sonhos
vida
amanhecer...

Grito longo e silencioso...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AGENDA

Hoje guardei minha agenda antiga...

reescrevi os endereços
os antigos nomes
revi alguns poemas dobrados em suas páginas...

reli os sentimentos ao longo do tempo
escritos em uma agenda permanente...

senti um fundo de tristeza
um adeus profundo
é que algumas lembranças ainda saltavam em letras antigas...

despedi como se despede de um amor
de memórias impregnadas
escritas à tinta a prova de lágrimas...

anotações antigas jogadas fora
outras guardadas por um tempo
outras que vão para a próxima
como se fossem hereditárias
passadas de geração à geração...

ultima olhada
um adeus
e outra que chega...

assim como esquecer alguém
que passou como páginas
que agora ficam esquecidas
em meio à outras tantas folhas...

misturadas ao caos organizado
em uma gaveta escura...

domingo, 27 de março de 2011

DIMENSÃO

Queria saber onde está a dimensão das minhas decisões
do não ao invés do sim
do sim ao não
do talvez...

queria saber como teria sido se escolhece o outono à primavera
o inverno ao verão...

onde se escondem as vergonhas
o que cobre o corpo dos meus desejos...

queria saber quantas espirais tem o meu universo
quantos lugares à desvendar

quem sonda o chão dos meus mundos nunca visitados...

queria saber a senha do retorno
voltar e conquistar o tempo e o espaço
fusão de maturidade e inocência...

a dor dilacerante da ignorância do outro lado
do antagonismo das escolhas...

queria saber como seria se tivesse escolhido o oposto
se tivesse acreditado mais nas possibilidades
no fascínio do simples do que na complicação do inatingível...

quero saber onde ir buscar os anos que não estavam no meu calendário
para onde foi a esperança dos vinte anos
e o espelho que refletia a minha juventude...

as músicas que não ouvi...

e o amor que eu possa ter dispensado...

as cores que escondi...
e os meus sonhos sem noite...

os sentimentos que vieram
as pessoas que foram...

as viagens distantes e para dentro de mim mesma...

os sorrisos
os risos
o choro
as lágrimas...

os compartimentos e os caminhos do meu coração...

meus questionamentos...
minhas perguntas desesperadas por respostas...

e o meu lugar...

quero saber onde está o meu ser...

e onde permanecer...