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Mostrando postagens de 2011

ESSÊNCIA

SE QUISER ME CONHECER MERGULHE! MINHA ESSÊNCIA ESTÁ NO FUNDO...

EFÊMERO

Se eu gritar para dentro de mim mesma minhas entranhas me ouvirão? E o que sinto decifrará as notas dissonantes do meu choro, na orquestra dos sons calados? O maestro desesperado para ouvir os acordes e o acordar da minha alma sem sono... Qual resposta dar ao meu coração? Quantos discursos ele ainda suporta? Quanta dor ele ainda pode sentir? Quem vai sentado ao seu lado nesta viagem? O chão que se abre sem amparo... a estrada que não tem fim... saudades do oásis neste deserto de águas... Que mão segura a minha? Quais lábios tocam os meus? O espelho como disco arranhado me lembra as horas... os minutos... os segundos... nem o efêmero é efêmero diante da eternidade do meu querer... minha "Pasárgada" é meu quarto a parede que separa meus desejos... soprei meus sentimentos ao vento... pode ser que eles ainda voltem... fragmentados... trazendo as cores da sua luz...

ANTAGONISMOS MEUS...

A noite lá fora não me assusta... não tenho medo do sol não nascer amanhã tenho medo é de que meu coração nunca amanheça minha alma ser inverno sem cores sem flores sem luz... não tenho medo do não temo o sim que nunca chega a esquina que nunca vira e os sonhos acordados... não temo o desespero tenho medo da esperança que chega como criança e vai embora como um adulto que não brinca mais... a fome é a fome temo a inanição as migalhas sensação de saciar de cheio vazio... não temo morrer sem amor temo viver sem ele... não temo o fim da estrada tenho medo do meio das bifurcações dos sinais escondidos e das saídas distantes... não tenho medo das escolhas temo a liberdade instantânea os instintos que não se submetem à suavidade da razão... não tenho medo de não saber o porque temo não saber onde e não discernir o chronos o espaço a diferença os fins os meios a chegada e a partida... não tenho medo de ir temo o ficar... não temo a dor profunda tenho medo dos analgésicos superficiais que amen...

JUNTOS

Eu e meus pensamentos! movidos ao som das ondas meio da tarde frio de inverno barcos ao mar... e meus sonhos? estes insistem em ficar estão até agora comigo na batalha ferrenha entre a esperança e o desespero... são companheiros fiéis escudos que nas trincheiras me apontam o céu de estrelas... meus sonhos são de criança brincam às cantigas de roda passeiam no parque de mãos dadas constroem castelos na areia... já os despedi tentei fazer suas malas disse que estão livres podem procurar outros sonhos iguais! mas eles não querem ir... disseram que já me pertencem que me foram enviados como anjos que se os mandar embora não sabem aonde ir porque não cabem em outros sonhadores... levantei... enxuguei minhas lágrimas meu coração ferido de morte... senti um vento profundo que me envolveu... me aqueceu... me consolou... me livrou... me salvou... levantei... e adormeci...

VIDA

A vida não para... ainda que estagnada nas esquinas dos rios nos caminhos do mar correnteza de águas... hoje é o futuro do ontem de páginas viradas o amanhã é o sonho do hoje que não reconhece sua identidade é a única certeza de tudo... a vida não para... passam os postes e as luzes das cidades as árvores nas suas sequências calma sem paciência do interior dos mundos e de nós... o dia chega e já traz a noite a noite que insiste em ficar e o dia que implora em permanecer... os sons do silêncio e da alma a música calada dos meus pensamentos... sinto a tarde e as cores do ocaso crepúsculo no meu coração que espera... a essência do amor que exala de tudo que sou... que tenho... que acredito... que vivo... que espero... que preciso... que sinto... a vida não para... e ainda não entendo porque parece tão inerte...

DESTINO

Onde estava que não me vi? Qual trem eu peguei? Seus vagões mostram o tempo e o lugar... em qual estação despedir? Passei do lugar ou devo descer no final? Minhas bagagens estão empoeiradas de destino... os que ficam me olham os que vão querem de mim as cores... as luzes se apagam e os trilhos imploram descanso... as cabines fechadas seus cantos silenciosos e a música que o trem canta é harmonia e dissonância silêncio em melodia... e eu aqui... fecho os olhos e me vejo... sem saber aonde descer...

SILÊNCIO

Um grito de silêncio sussurra dentro de mim... minha rua não é pavimentada é de terra desesperada de sede lágrimas de poeira... minha fome é em preto e branco vazio sem fundo parede revestida de vontade de saciar da fome na medida da fome no tamanho da fome na fome da fome... pensamentos acordados estendidos no varal pregados na sequência das suas ordens olhos que veem fechados... minha música quer um "Stradivarius" violino que chora tocado ao vento à beira mar ao entardecer... e o amor que em mim está quer ouvir a melodia dos sons calados... poros pele sonhos vida amanhecer... Grito longo e silencioso...

AGENDA

Hoje vou guardar minha agenda antiga...  Revi nomes e endereços  Reli alguns poemas dobrados em suas páginas...  Li os sentimentos ao longo do tempo escritos em uma agenda permanente...  Senti um fundo de tristeza  Um adeus profundo É que algumas lembranças ainda saltavam em letras maiúsculas...  Despedi... Como se despede de um amor Das memórias impregnadas de tinta à prova de lágrimas...  Rasguei umas anotações  Algumas serão guardadas por um tempo  Outras serão transportadas para a próxima agenda  como se fossem hereditárias passadas de geração a geração...  Última olhada Um adeus... Outra chegando   E suas novas datas... Guardei minha agenda antiga... Que ficará em meio a outras tantas folhas...  Misturadas ao caos organizado em uma gaveta escura...

DIMENSÃO

Queria saber onde está a dimensão das minhas decisões do não ao invés do sim do sim ao não do talvez... queria saber como teria sido se escolhece o outono à primavera o inverno ao verão... onde se escondem as vergonhas o que cobre o corpo dos meus desejos... queria saber quantas espirais tem o meu universo quantos lugares à desvendar quem sonda o chão dos meus mundos nunca visitados... queria saber a senha do retorno voltar e conquistar o tempo e o espaço fusão de maturidade e inocência... a dor dilacerante da ignorância do outro lado do antagonismo das escolhas... queria saber como seria se tivesse escolhido o oposto se tivesse acreditado mais nas possibilidades no fascínio do simples do que na complicação do inatingível... quero saber onde ir buscar os anos que não estavam no meu calendário para onde foi a esperança dos vinte anos e o espelho que refletia a minha juventude... as músicas que não ouvi... e o amor que eu possa ter dispensado... as cores que escondi... e os meus sonhos s...