A noite lá fora não me assusta... não tenho medo do sol não nascer amanhã tenho medo é de que meu coração nunca amanheça minha alma ser inverno sem cores sem flores sem luz... não tenho medo do não temo o sim que nunca chega a esquina que nunca vira e os sonhos acordados... não temo o desespero tenho medo da esperança que chega como criança e vai embora como um adulto que não brinca mais... a fome é a fome temo a inanição as migalhas sensação de saciar de cheio vazio... não temo morrer sem amor temo viver sem ele... não temo o fim da estrada tenho medo do meio das bifurcações dos sinais escondidos e das saídas distantes... não tenho medo das escolhas temo a liberdade instantânea os instintos que não se submetem à suavidade da razão... não tenho medo de não saber o porque temo não saber onde e não discernir o chronos o espaço a diferença os fins os meios a chegada e a partida... não tenho medo de ir temo o ficar... não temo a dor profunda tenho medo dos analgésicos superficiais que amen...
Primavera! Festa Das Cores!